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domingo, 9 de março de 2014

Opinião - Vaga ao Senado será decisiva ao Buriti


A disputa pelo Palácio do Buriti passa necessariamente pela formação da chapa majoritária. Mais especificamente a vaga ao Senado. Com apenas uma cadeira em disputa, fica mais estreito abrigar aliados estratégicos.

Serão cinco postos a ser preenchidos para contemplar em aliança partidária: governador, vice-governador, senador, primeiro e segundo suplentes de senador. Nas eleições de 2010 essas vagas eram oito. Tinha espaço para todo mundo.

Na chapa governista o PT referendou o nome de Agnelo Queiroz (PT) à reeleição. O vice continuará sendo o presidente regional do PMDB, Tadeu Filippelli. Até ai tudo bem. O problema é quando se desenha a vaga ao Senado.

O PT não abre mão. O deputado federal licenciado e secretário de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano (Sedhab), Geraldo Magela, e o deputado distrital e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa, Chico Leite, são os nomes postos.

O PT referenda o governador ao mesmo tempo que o enquadra impondo o nome ao Senado. Ou tenta enquadrar. Outros partidos que compõe a base aliada gritam. Acham injusto e querem que a aliança seja ampla e contemplando a base.

As legendas alinhadas aos evangélicos mandaram recado ao comando de campanha de Agnelo. Querem a vaga. Ameaçam, nos bastidores, se rebelarem caso não sejam atendidos. Outros partidos seguem a mesma linha.

A cadeira em disputa é ao do ex-senador e ex-governador Joaquim Roriz (PRTB). Ele teve que renunciar ao cargo ainda no primeiro ano de mandato, em 2007, devido a denúncias da Operação Aquarela. O suplente Gim Argello (PTB) assumiu o cargo.

Gim se mostrou um craque na política. Foi aliado de primeira hora da presidente Dilma Rousseff (PT) e dos senadores José Sarney (PMDB/AP) e Renan Calheiros (PMDB/AL). Conquistou influência. Conseguiu o que quis no governo federal. Indicou cargos cobiçados e trouxe recursos importantes ao Distrito Federal. Mas esqueceu de fazer política junto ao eleitor. Agora corre atrás do tempo perdido.

Gim Argello quer mais oito anos no Senado. O PT não quer. O plano B é cavar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), na cadeira do também brasiliense Valmir Campelo, que vai se aposentar esse ano. Assim, Agnelo poderia manter o PTB na sua base.

Outra alternativa é Gim ir para oposição ao PT local. O caminho mais comentado é formar uma chapa tendo como possível candidato ao Buriti o ex-governador José Roberto Arruda (PR) e a deputada distrital Liliane Roriz (PRTB) de vice.

O PT sonha em fazer um senador por Brasília. Já Agnelo não abandona o sonho de ter o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) na sua chapa. Reguffe agregaria voto e uma bandeira mais ética ao PT.

Mas o PT não confia em Reguffe. E nem Reguffe quer formar uma chapa com PT. Já deixou isso claro por diversas vezes. Se mudar de opinião vai ficar com uma imagem muito ruim junto a sociedade brasiliense. E o PT sabe que uma vez eleito, iria fazer oposição em caso de reeleição da presidente Dilma.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) é candidato contra Agnelo Queiroz. Até o momento é candidato de si mesmo. Não conseguiu anunciar nenhuma aliança que possa causar impacto. Reguffe também é seu sonho de consumo. Daria um 'up grade' na campanha do socialista.

Reguffe reluta. Apresenta as pesquisas de opinião. Quando seu nome é colocado na disputa ao GDF fica na frente de Agnelo e Rodrigo. Ele questiona o porquê ser candidato ao Senado se está na frente na corrida ao Buriti. Só perde quando enfrenta Arruda.

O problema é que assim como Rodrigo, Reguffe também seria candidato de si próprio. Sem aliança forte e apoio político. Tem apenas o senador Cristovam Buarque (PDT) ao seu lado. Separados, Rodrigo e Reguffe poderiam não ter fôlego suficiente até o final da disputa.

Eliana Pedrosa (PPS) está com o bloco na rua. Hábil, costura apoios e pode atrair o Solidariedade, o PSDB e o DEM. Os tucanos tem hoje três candidatos ao Buriti. Os deputados federais Izalci Lucas e Luiz Pitiman, além do ex-secretário de Obras do governo Arruda, Márcio Machado. Daí poderia sair o candidato ao Senado, se a aliança Eliana & PSDB for fechada. Ou ainda dar guarida ao grupo evangélico ampliando apoio.

Muitos partidos ainda estão soltos. Devem vender caro o passe e o tempo de TV no apoio a uma das chapas. Quem tiver melhor cacife e perspectiva de poder leva uma coligação mais robusta.
 
Resumo: o PT impõe um senador do partido, mas isso o fará perder apoio; Agnelo precisa de alguém que fortaleça sua campanha; Rodrigo e Reguffe separados serão presas fáceis; Gim não pretende deixar barato a cadeira no Senado; Eliana está solta para compor sua chapa; e todos apostam que Arruda ficará fora da disputa.

Fonte: Ricardo Callado.

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