O dono da Delta não conseguia entrar no bilionário Dnit, mas a
amizade com o deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP) garantiu a ele
bilhões em obras viárias; em retribuição, os dois foram juntos a Roland
Garros em 2005 e se tornaram amigos íntimos
Cavendish fazia de tudo para cortejar o deputado. Valdemar era “dono”
do Ministério dos Transportes e, por consequência, do bilionário Dnit,
órgão encarregado pelas obras viárias em todos os estados do País. Foi
ele quem abriu as portas do governo federal para o empreiteiro que, anos
depois, se tornaria o maior recebedor de verbas do Programa de
Aceleração do Crescimento, o PAC. Só no ano passado, a Delta levou R$
884 milhões.
Cavendish se vê agora constrangido pelas declarações que fez numa
reunião da própria Delta, nas quais dizia que, dando R$ 30 milhões para
um político ou R$ 6 milhões para um senador, dava para conseguir “coisa
pra caramba”. Em nota, ele disse ter dito apenas uma bravata e afirmou
ter profundo respeito pelas instituições brasileiras e pelos
representantes da classe política.
Mas sua empresa, a Delta, parece estar com os dias contados. Nesta
segunda-feira, o vídeo de Cavendish, que já havia sido mostrado no 247,
foi também exibido no Jornal Nacional. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR)
garantiu que o empreiteiro será uma das primeiras pessoas a ser
convocadas pela CPI que irá investigar as atividades de Carlos
Cachoeira, provável sócio da Delta. E o governo federal não terá outra
escolha a não ser declarar a empresa inidônea, a exemplo do que foi
feito em 2007 com a Gautama, alvo de outra operação da Polícia Federal, a
Navalha.
Cavendish, provavelmente, será banido de futuras licitações. Mas será
que desta vez Valdemar Costa Neto será punido? Ele é a prova viva de
que pode haver uma conexão direta entre o mensalão e o caso Carlos
Cachoeira – ainda que os protagonistas de um escândalo acusem os astros
do outro de tentarem criar cortinas de fumaça.
Será este o match-point para a Delta?
Fonte: Brasília 247 - 17 de Abril de 2012 às 09:39
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