Ministro Carlos Ayres Britto tem pressionado colegas para marcar
julgamento para o primeiro semestre deste ano, em especial Ricardo
Lewandowski, o relator revisor do processo
Tanto que, com a ajuda do relator do processo, Joaquim Barbosa,
começou a pressionar os demais colegas para verificar se já estão
trabalhando em seus votos para o julgamento no plenário. Em especial
Ricardo Lewandowski, o relator revisor do processo, que ouviu: « O
senhor não quer entrar para a História como coveiro do mensalão, né? ».
Leia na matéria do Globo:
BRASÍLIA - Interessado em marcar o julgamento do mensalão para o
primeiro semestre deste ano, o ministro Carlos Ayres Britto, que
assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta
quinta-feira, tem trabalhado nos bastidores para viabilizar seu desejo. A
despeito das pressões exercidas, direta ou indiretamente, pelos
políticos envolvidos no escândalo e seus advogados, Ayres Britto, com a
ajuda do relator do processo, Joaquim Barbosa, tem conversado com os
demais colegas para verificar se já estão trabalhando em seus votos para
o julgamento no plenário.
Ou seja: internamente, todos os ministros estão sendo pressionados
para fazer sua parte. Em especial Ricardo Lewandowski, o relator revisor
do processo. Recentemente, ele ouviu de um colega uma cobrança mais
dura para que entregue logo o voto:
— O senhor não quer entrar para a História como coveiro do mensalão, né?
Em dezembro do ano passado, Lewandowski recebeu de Barbosa o
relatório do caso. Agora, precisa elaborar um voto minucioso e
entregá-lo à presidência do tribunal para que o julgamento seja marcado.
O voto do relator Joaquim Barbosa está quase pronto e terá cerca de 500
páginas.
Lewandowski não diz quando vai terminar o trabalho, mas anunciou que
quer fazer isso ainda neste semestre, mesmo com a dificuldade do tamanho
do processo. São 38 réus, mais de 600 depoimentos de testemunhas e
cerca de 50 mil páginas para serem estudadas.
Ayres Britto não quer que o julgamento seja adiado para o segundo
semestre, quando já estará em curso o processo eleitoral. Diante de
tantas cobranças - da opinião pública e dos colegas -, Lewandowski
decidiu se dedicar mais. Nesta quarta-feira, quando for substituído na
presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela ministra Cármen
Lúcia, não voltará à bancada da Corte. Renunciará ao posto para ficar
integralmente no Supremo.
Julgamento ocorrerá mesmo com dez ministros na Corte
Em entrevista ao GLOBO publicada no último domingo, Ayres Britto não
só afirmou que deseja julgar o processo do mensalão até 6 de julho,
quando a campanha eleitoral começa oficialmente, como pretende manter o
julgamento mesmo que o STF esteja apenas com dez ministros. No segundo
semestre, a Corte deverá trabalhar com dez integrantes porque o atual
presidente do STF, Cezar Peluso, vai se aposentar. Ainda assim, disse
Ayres Britto, ele manterá o julgamento em pauta, caso não seja possível
concluí-lo no primeiro semestre:
— O ideal é o número 11, ímpar. Mas, se só tiver dez, qual o
presidente que vai esperar nomear o substituto do ministro Peluso, que
você não sabe quando vai acontecer, e deixar o processo sem julgamento? —
disse Ayres Britto.
Fonte: Brasília 247 - 17 de Abril de 2012 às 07:27
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