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terça-feira, 12 de julho de 2011

Empresa que doou ao PR e Gleisi multiplica contratos

Angeli
 

A empreiteira Sanches Tripoloni, do Paraná, viveu anos de bonança nos dois reinados de Lula.

Seus contratos com o Dnit, o departamento que cuida de obras rodoviárias na pasta dos Transportes, cresceram 1.273%.

Em 2004, as obras confiadas à Sanches Tripoloni somavam R$ 20 milhões. Em 2010, em cifra atualizada, totalizavam R$ 267 milhões.

Os dados constam de notícia veiculada pela Folha. Coisa produzida pelos repórteres Breno Costa, Andreza Matais e Rubens Valente. 

A prodigalidade dos contratos fez da Sanches Tripoloni uma generosa doadora de campanhas políticas. Ou vice-versa.

No ano passado, a empreiteira borrifou R$ 7,2 milhões nas arcas eleitorais de diferentes candidatos. 

Deu prioridade aos políticos ligados ao consórcio governista. A estes, doou R$ 6,4 milhões, incluindo R$ 1 milhão para Dilma Rousseff. José Serra beliscou R$ 180 mil.

Os candidatos do PR, partido de Alfredo Nascimento, que chefiou os Transportes durante seis dos oito anos de Lula, levaram R$ 2,5 milhões.

Sozinho, o senador Blairo Maggi (PR-MT), padrinho de Luiz Antonio Pagot, o mandachuva do Dnit, foi aquinhoado com R$ 500 mil.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), chefe da Casa Civil e mulher do ministro Paulo Bernardo (ex-Planejamento, agora nas Comunicações), amealhou R$ 510 mil.

Na época em que azeitou a escrituração das campanhas, a Sanches Tripoloni estava proibida de contratar com o governo.

Havia sido declarada inidônea pelo TCU, em maio de 2009. Por quê? Prevalecera numa licitação do Dnit “de forma extremamente viciada”.

Ao tocar a obra, um anel rodoviário na cidade paranaense de Foz do Iguaçu, injetara nos borderôs um sobrepreço de R$ 9,9 milhões.

Passadas as eleições, graças a um recurso, a empreiteira obteve do TCU a reabilitação. Alegou-se que as provas eram “indiciárias”, não conclusivas.

Em março de 2011, a Sanches Tripoloni firmou com o Dnit um aditivo contratual.
Orçadas em R$ 149 milhões, as obras do anel viário de Maringá (PR), foram à casa dos R$ 178,6 milhões.

No mês anterior, a empreiteira vencera licitação para a segunda fase dessa mesma obra.
Decorridos cinco meses, o contrato ainda não foi assinado. Por quê? O TCU apontou sobrepreço de 10% no pedaço já reaizado da obra.

Nos porões do PR, a legenda que Dilma levou à grelha, acusa-se o casal Bernardo-Gleisi de atuar em benefício da Sancres Tripoloni. Eles negam.

Bernardo refuta a insinuação de que teria pressionado Luiz Antonio Pagot para liberar as verbas que propiciaram o início da obra de Maringá.

Alega que o empreendimento saiu do papel graças a uma emenda da bancada de congressistas do Paraná.

“Conseguimos uma emenda de bancada, a pedido da prefeitura de Maringá, que foi liberada", diz o ministro.

Gleisi, a mulher de Bernardo, disse que não pediu dinheiro à empreiteira: "Visitei Maringá na campanha e eles perguntaram se podiam ajudar…”

“…Respondi que sim e pedi à minha assessoria que os procurasse. Está tudo devidamente registrado no site da Justiça Eleitoral".

Pode-se acusar a Sanches Tripoloni de tudo, menos de falta de senso de oportunidade. Financiou uma senadora e elegeu uma poderosa ministra.

Fonte: Blog Josias de Souza - FOLHA

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