Nestes
tempos de grande intolerância política no Brasil, é especialmente
admirável um exemplo de boa convivência democrática dado pelo deputado
federal José Antônio Reguffe (PDT/DF): “Não se pode respeitar as
pessoas só quando elas concordam conosco”, diz ele, muito gentilmente,
ao entrar em contato comigo para comentar o artigo que publiquei ontem
aqui no blog sobre a sua atuação na vida pública. “Não existe democracia
no mundo sem um Legislativo forte e atuante; mas o Parlamento não tem
que ser gordo e inchado”, argumenta, ao explicar o que o motiva a cortar
gastos do seu gabinete. “Os governos precisam construir pontes, mas o
preço da obra deve ser justo”, compara.
Reguffe fala sobre as emendas que apresenta ao Orçamento da União:
“Enquanto muitos destinam recursos a shows e festas, as minhas emendas
são para compra de remédios para os hospitais públicos e a construção de
escolas de tempo integral. É uma contribuição direta para melhorar os
serviços públicos de que a população precisa.”
Ele conta ter aprovado seis projetos de sua autoria como deputado
distrital, inclusive o que prevê a instalação de bicicletários nos
órgãos públicos. “Já na Câmara dos Deputados, eu e 95% dos parlamentares
não conseguimos aprovar nossos projetos, pois a Casa só vota medidas
provisórias”, lamenta.
Reguffe explica que vota a favor das MPs que representam os
interesses dos seus eleitores, e não a vontade do governo ou do seu
partido. “Por exemplo: votei a favor da MP que reduz as tarifas de
energia e contra a medida que flexibilizava as licitações relativas à
Copa do Mundo.” O deputado também informa ter aprovado um parecer, na
Comissão de Defesa do Consumidor, que obriga os planos de saúde a
arcarem com os custos da quimioterapia oral.
“Eu entrei na política da forma mais digna possível. Sempre respeito a minha consciência e quem votou em mim”, conclui Reguffe.
Quase todos os políticos reconhecem, em tese, que é saudável o fato
de eles poderem ser contestados por cidadãos ou jornalistas. Poucos,
porém, são capazes de buscar o diálogo e de reagir às críticas de forma
civilizada e gentil – este é o caso de Reguffe. E nesse quesito ele já
fica bem acima da média dos nossos representantes.
Fonte: Uma conversa com Reguffe -
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