Operação Infiltrados prende dois policiais civis suspeitos de coagir
agentes para beneficiar doleiro suspeito de lavagem de dinheiro. Em
dezembro do ano passado, a dupla chegou a fazer ameaças na tentativa de
obter informações favoráveis a Fayed Antoine Trabousli.
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| Homens da Delegacia de
Repressão ao Crime Organizado estiveram na residência de Fayed Antoine
Trabousli, na manhã de ontem: velho conhecido da Justiça do Distrito
Federal |
Dois integrantes da alta cúpula da Polícia Civil do Distrito Federal
foram presos ontem sob a acusação de interferir numa investigação em
curso para beneficiar o doleiro Fayed Antoine Trabousli, suspeito de
promover operações de lavagem de dinheiro por meio de uma conta bancária
do Ceilândia Esporte Clube. Secretário de Transportes no governo de
Rogério Rosso (PSD), o delegado Paulo César Barongeno, piloto da Divisão
de Operações Aéreas (DOA), e a delegada Sandra Maria da Silveira,
assessora jurídica da Secretaria de Segurança Pública, são acusados de
coação e violação do sigilo funcional, crimes que, caso sejam
confirmados pela Justiça, podem levá-los à perda do cargo e uma pena de
até 10 anos.
Sandra foi denunciada também por desacato por ter supostamente agredido
verbalmente um agente da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado
(Deco), responsável pelas investigações contra Fayed. Os dois policiais
passaram a noite de ontem em unidades da própria instituição. Barongeno
está em uma sala da DOA. Sandra foi recolhida na Divisão de Operações
Especiais (DOE). Já Fayed ocupa cela no Departamento de Polícia
Especializada (DPE). As prisões são decorrentes da Operação Infiltrados,
do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (Ncoc) do Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que promoveu buscas e
apreensões nas residências dos delegados e do doleiro. A casa do
ex-presidente do Ceilândia Sérgio Luís Lisboa de Almeida, conhecido como
Serjão, também foi vasculhada na manhã de ontem como parte da
investigação.
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| Paulo César Barongeno teria pressionado policial que investigava doleiro |
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| Assessora jurídica da Secretaria de Segurança, Sandra foi detida em casa |
A Operação Infiltrados contou com um depoimento considerado fundamental do agente José Ronaldo da Mota, que estava lotado na Deco e fazia o monitoramento do doleiro. Amigo de Barongeno havia mais de 14 anos, ele procurou o delegado para pedir ajuda sobre onde encontrar Fayed. A partir daí, segundo relato do agente aos promotores do Ncoc, Barongeno passou a pressioná-lo para obter informações relacionadas a eventuais pedidos de prisão contra o doleiro.
Aviso ao amigo
Tudo começou em 2008, com um inquérito conduzido por policiais da Deco
relacionado a Fayed. No ano passado, a apuração foi aprofundada. Numa
ocasião, descrita por Mota, Fayed percebeu que estava sendo seguido e
teria avisado o amigo delegado. Barongeno, então, telefonou para o
agente a fim de saber o que estava acontecendo. Outras situações
semelhantes ocorreram ao longo do segundo semestre de 2012. Mota conta
que passou a se sentir intimidado. As ameaças teriam se agravado quando
ele prestou depoimento no MP. Há cerca de um mês, o delegado adjunto da
Deco, Fernando Cocito, fez uma representação com pedido de prisão de
Fayed.
Houve, então, o confronto mais grave. Barongeno e Sandra, que são
namorados, estiveram na casa do agente em 10 de dezembro supostamente
para pressioná-lo. Num dos diálogos, a delegada teria dito que mandaria
um agente identificado como Luiz Cláudio à casa dele. Para Mota e para o
MP, foi uma ameaça velada. Por isso, ela acabou acusada de desacato. A
denúncia que tramita na 1ª Vara Criminal de Taguatinga já foi recebida
pela Justiça. Nesse processo, os promotores pediram e obtiveram do juiz
Alex Costa de Oliveira a prisão preventiva dos dois policiais e de
Fayed. A medida pode se estender durante toda a instrução processual,
até o desfecho da ação.
Mensalão
Mensalão
Fayed Trabousli, conhecido como Turco, é investigado pela Deco, assim
como Serjão, por supostamente usar uma conta do Ceilândia Esporte Clube
para lavagem de dinheiro. Parte dos recursos passou por duas empresas
ligadas ao esquema do mensalão do PT. A atual diretoria do clube
colaborou nas investigações relacionadas ao suposto esquema, entre os
quais os cartolas José Beni Monteiro Oliveira e Ari de Almeida.
Ex-tesoureira do time, Fátima de Deus Francisco disse em depoimento que
assinou documentos enviados por Serjão sem saber do que se tratavam.
O doleiro Fayed é um velho conhecido de investigações policiais no DF.
Em muitas delas, há vazamentos de informações, como ocorreu na Operação
Tellus, que apurava um suposto esquema de cobrança de propina na
Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, em 2010.
Uma outra suspeita de que o doleiro obteve detalhes estratégicos
aconteceu na Operação Tucunaré, em que um dos alvos era o policial civil
aposentado Marcelo Toledo Watson. O caso envolvia suspeitas de desvio
de dinheiro de fundos de pensão ligados ao governo. Fayed também é réu
em ação por peculato com o ex-governador Joaquim Roriz e o delator da
Operação Caixa de Pandora, Durval Barbosa, em desvios de recursos de
contratos públicos da Codeplan e do Instituto Candango de Solidariedade
(ICS) para a campanha de 2002.
Na opinião do diretor-geral da Polícia Civil, Jorge Luiz Xavier, as
investigações da Deco apontam suspeitas graves contra Fayed.
“Gostaríamos de vê-lo preso pelo crime mais grave. Não por coação, mas
por lavagem de dinheiro”, afirmou. Sandra e Barongeno foram detidos no
apartamento dela, no Sudoeste. Fayed também estava em casa, no Lago Sul.
O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, disse ontem que vai
aguardar os desdobramentos do caso para avaliar se será necessário tomar
alguma providência em relação ao cargo de confiança ocupado pela
delegada.
Fonte: Correio Braziliense - Por Ana Maria Campos e Kelly Almeida



Que coisa mais vergonhosa... e pensar que esse bandos de sacanas e aproveitadores da função pública, já tão bem remunerados, fazem uso dos cargos edo imposto que pagamos, para podres negociativas com safados que deveriam estar na cadeia, isso se o Brasil fosse um país, como referia-se Charles de Gaulle em 1900 e tanto!
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