A
candidatura de Renan Calheiros (PMDB/AL) à presidência do Senado, desde
o início questionada devido ao histórico de confusões do parlamentar,
ganha ainda mais críticas à medida que novas denúncias surgem a seu
respeito
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| Renan: extenso currículo de deslizes |
A candidatura de Renan Calheiros (PMDB/AL) à presidência do Senado,
desde o início questionada devido ao histórico de confusões do
parlamentar, ganha ainda mais críticas à medida que novas denúncias
surgem a seu respeito. Reportagem do site de VEJA nesta quinta-feira
mostra que Calheiros usava parte da verba indenizatória - benefício que
deveria bancar despesas do mandato - para custear a sede do PMDB em
Alagoas. Por mês, cerca de 2 800 reais da do Senado são direcionados
para o aluguel do escritório do partido - valor que atinge, em média, 3
500 reais somadas as despesas de manutenção e tributos. O beneficiado
era o suplente do próprio Renan, Fábio Luiz Farias - que, por sua vez,
não declarou o imóvel à Justiça Eleitoral.
Favorito para suceder José Sarney (PMDB/AL), Calheiros foi escolhido
pelo PMDB, dono da maior bancada da Casa, e conta com o aval do Palácio
do Planalto. Mas, dentro do Senado, parlamentares que integram siglas
aliadas demonstram constrangimento em apoiar a eleição dele e tentam
lançar um nome alternativo. Os senadores Cristovam Buarque (PDT/DF),
Pedro Taques (PDT/MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) começaram ontem a
distribuir um manifesto chamado “Uma nova presidência e um novo rumo ao
Senado”. O documento ataca a candidatura do alagoano e relaciona a perda
de credibilidade do parlamento à ineficiência da Casa.
Para Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), por enquanto o único adversário de
Calheiros, o uso da verba indenizatória para fins externos ao Senado
retrata um exemplo que enfraquece a Casa. No entanto, ele reforça que
mais um caso que mancha a imagem do peemedebista não é novidade. “Só o
fato de ele ter renunciado ao posto de presidente já fragiliza sua
candidatura diante da opinião pública. Esses novos fatos são
consequência desse passado, e mais parecem uma novela que a gente
conhece o roteiro”, diz Rodrigues.
"Se for realmente comprovado, é gravíssimo e condenável. O Renan deve
prestar esclarecimentos", reforça o senador Agripino Maia (DEM/RN).
O senador Pedro Simon (PMDB/RS) argumenta que haverá um constrangimento
em ter o peemedebista como presidente. Para o parlamentar gaúcho, todos
já conhecem o histórico do peemedebista, deixou a cadeira de presidente
do Senado em 2007 envolvido em uma profusão de escândalos. "Todo mundo
sabe das denúncias que aconteceram quando ele renunciou à presidência em
troca de não ser cassado. No momento em que ele retorna e acontece a
mesma coisa, as pessoas voltam com os argumentos que levaram à cassação
dele."
Alternativa - O PSDB ainda tenta convencer um peemedebista
dissidente a lançar a candidatura contra Renan. Dessa forma, os tucanos
poderiam alegar que seguem respeitando o critério da proporcionalidade,
que dá ao PMDB o direito de presidir o Senado. Uma alternativa
peemedebista também aumentaria as chances de atrair potenciais eleitores
do candidato oficial.
Como a aproximação com Luiz Henrique (SC) e Ricardo Ferraço (ES)
falhou, os tucanos conversam com Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos (PE).
Pedro Taques seria a terceira opção - e já disse que, com o apoio do
PSDB, aceita entrar na disputa.
De qualquer forma, ninguém aposta que Renan será derrotado. A maior
vitória da aliança entre oposição e os chamados "senadores
independentes" seria obter mais de 20 votos entre os 81 senadores. Nada
além disso.
Em 2010, na última disputa pela presidência do Senado, Randolfe
Rodrigues obteve 8 votos, contra 70 de José Sarney. Na ocasião, nem
mesmo os oposicionistas (que somavam 16 votos) embarcaram na proposta do
senador do PSOL.
Resposta - A assessoria do senador divulgou uma nota nesta
quinta-feira negando que o peemedebista use parte da verba indenizatória
do Congresso para manter a sede do PMDB em Alagoas. De acordo com o
texto, o escritório parlamentar funciona no mesmo imóvel da sede do
partido, mas as despesas não se misturam. A nota não detalha,
entretanto, valores, dados contratuais, nem explica como as despesas são
desmembradas. Também não comenta o fato de o imóvel pertencer ao
suplente de Renan, Fábio Luiz Farias, que omitiu a propriedade do
escritório em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral. A reportagem
tentou questionar o senador sobre o uso da verba desde a manhã
quarta-feira, mas ele não atendeu aos pedidos de entrevista. A nota da
assessoria só foi divulgada no final da tarde desta quinta.
Fonte: Veja.com - Por Marcela Mattos e Gabriel Castro

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