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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SERRA FALA DE TUDO NO TWITTER, SÓ NÃO FALA DE 2012

Quem leu o noticiário político das últimas 72 horas ficou com a impressão de que José Serra é uma esfinge prestes a ser decifrada.

O tucano estaria na bica de tornar-se o candidato que se recusa a ser. Ou não.

Alheio à bruma de mistério que o envolve, Serra trata de temas variados no twitter, sua tribuna na web.

Fala de quase tudo, menos da ‘eventual-veja-bem-talvez-quem-sabe’ candidatura a prefeito de São Paulo.

Serra voltou ao twitter, nesta quarta (15), após uma ausência de cinco dias. Um desaparecimento inusual para um político que se jacta de alimentar o microblog em ritmo diário. Algo de que não abria mão nem nos tempos de governador.

Antes de tomar chá de sumiço, em 10 de fevereiro, Serra lecionou: “Política também se faz com princípios, programa e coerência. E disso não se pode abrir mão, no poder ou fora dele.”

Queixou-se: “Vivemos tempos complicados, um tanto obscuros, chamam de ‘pragmatismo’ o oportunismo deslavado”. Convidou os mais de 900 mil internautas que o seguem a ler um artigo que veiculara na véspera.

“A era do oportunismo”, eis o título. No penúltimo parágrafo, o texto de Serra parece ajustar-se como luva ao caso de Gilberto Kassab, o amigo que leva o seu PSD para passear nos quintais do petismo.

“Vivemos tempos complicados, um tanto obscuros, algo assim como ‘se Deus está morto tudo é permitido’ — e chamam de ‘pragmatismo’ o oportunismo deslavado”, escreveu Serra.

“A oposição, a despeito de notáveis destaques individuais, confunde-se no jogo, dado o seu modesto tamanho, mas também porque alguns são sensíveis aos eventuais salamaleques e piscadelas dos donos do poder. Um adesismo travestido de ‘sabedoria’…”

Ainda na fase pré-sumiço, Serra também discorreu sobre a penúltima novidade da Era petista

“Com cinco anos de atraso, governo do PT privatiza aeroportos.” Dessa vez, remeteu seus seguidores a uma declaração que dera sobre o tema a uma emissora de rádio.

Nesta quarta, de volta ao twitter, Serra criticou Michel Temer. Sem mencionar-lhe o nome, desmereceu uma declaração feita há dois dias pelo vice de Dilma: “Funciona pedir aos chineses que exportem menos ao Brasil? É o que o governo brasileiro fez. Por quê? Porque não tem políticas econômicas competentes.”

Cuidou, de novo, da privatização dos aeroportos: “O governo federal alardeou que vendeu as concessões de três aeroportos por R$ 25 bilhões. Só que metade será paga pelo próprio governo, via Infraero…”

Lançou um olhar sobre a Esplanada dos ministérios: “No atual governo, os ministros foram divididos em duas classes: os blindados e os lançados ao mar sem cerimônia.”

De resto, aconselhou aos ‘navegantes’ a leitura de outra artigo de sua autoria: “A nova vanguarda do atraso, artigo que escrevi sobre a política econômica da desindustrialização.”

E ficou nisso. Nada sobre a disputa municipal de 2012. Nenhuma palavra sobre as notícias que o apresentam como um ‘quase-futuro-candidato’. Não confirmou o veiculado. Tampouco negou.

A Esfinge da lenda, depois de propor seu enigma à decifração de Édipo, ameaçou: “Decifra-me ou te devoro”. Com Serra dá-se algo diferente.

Como que decidido a desafiar os que ameaçam mastigá-lo, o candidato a solução municipal do PSDB mantém-se ligado na agenda nacional. E grita em silêncio: “Devora-me ou te decifro.”

Fonte: Blog do Josias - UOL

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