Michel Temer passou a semana longe do gabinete da vice-presidência da República. Ficou em São Paulo. Em tese, recuperava-se da cirurgia em que os médicos o livraram de uma vesícula incômoda.
Na terça-feira (10), o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, tomou o avião para São Paulo. Foi visitar o amigo cinco dias depois de ele ter recebido alta hospitalar.
Henrique encontrou não um Temer convalescente, mas um político em atividade plena. Tornou-se participante involuntário de uma reunião reservada e estratégica.
Chegou no instante em que Temer recebia o deputado Gabriel Chalita e o advogado Alexandre Moraes. Chalita é o candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo. Moraes preside o DEM no município.
Mais cedo, sem Chalita e Henrique, Temer reunira-se com o presidente do DEM no Estado, Jorge Tadeu Mudalen. Nas duas conversas, alinhavou-se uma costura que parecia impensável.
Em troca da posição de vice na chapa do Chalita, o DEM achega-se ao PMDB. Simultaneamente, afasta-se devagarinho do PSDB, seu parceiro tradicional.
O acordo não foi fechado. Mas os desacertos do tucanato o tornam cada vez menos improvável. Se dependesse apenas dos ‘demos’ Moraes e Mudalem o acerto com Chalita seria formalizado já.
Porém, as negociações passam pelo DEM federal. Que posterga a batida do martelo em consideração ao governador tucano Geraldo Alckmin. Empurra-se a deliberação para março.
Presidente nacional do DEM, o senador José Agripino Maia (RN) não é refratário a uma aliança com Chalita. Longe disso. Enxerga no pupilo de Temer uma alternativa real.
Agripino costuma dizer que a disputa municipal de São Paulo tornou-se um torneio de “japoneses”. Japonês, no caso, é eufemismo para candidato que, por inexpressivo, assemelha-se aos demais.
Excluídos os nomões do tabuleiro –o tucano José Serra e a petista Marta Suplicy— o eleitor será submetido a opções niveladas nas pesquisas eleitorias abaixo da linha dos 10%.
Nesse contexto, o DEM tornou-se parceiro cobiçado. A despeito de ter sofrido uma erosão em seus quadros, a legenda dispõe de uma mercadoria valiosa: tempo de TV. Coisa de três minutos.
Algo que somado aos 4,5 minutos de que dispõe o PMDB, alargaria a vitrine eletrônica do PMDB para 7,5 minutos. Não é garantia de vitória. Mas é o suficiente para converter Chalita num ex-japonês.
Considerando-se que Temer tricota com outras legendas, um Chalita vitaminado pelo DEM pode entrar na disputa com um tempo de televisão igual ou maior que o de Fernando Haddad, o japonês do PT.
Quer dizer: o DEM, feroz antagonista do governo Dilma Rousseff, virou peça vital para o projeto político do vice-presidente Michel Temer. Que se contrapõe aos interesses de Lula, padrinho de Haddad.
Enquanto o PMDB afina sua viola com o DEM, o PSDB demora-se a tomar uma decisão. Alckmin pressiona Serra a entrar na briga. Mas ele refuga. Restam ao tucanato quatro alternativas.
Para os padrões de Agripino, são quatro não-opções: Bruno Covas, José Aníbal, Andrea Matarazzo e Ricardo Trípoli.
Por mais boa vontade que tenha com Alckmin, o DEM pode chegar à conclusão de que o japonês do PMDB é menos inviável do que os outros.
Fonte: Blog do Josias - UOL

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