Insatisfeito com onda de mentiras e vazamento de informações, Agnelo vai atribuir a Miguel Lucena, da Codeplan, uma missão espinhosa: cortar a língua de quem anda difundindo intriga.
O governador Agnelo Queiroz está matutando no melhor estilo baiano, como chamar o presidente da Codeplan, delegado Miguel Lucena, e atribuir-lhe uma nova e espinhosa missão: acabar com a central de boatos que alimenta uma rede de intrigas que espalha seus tentáculos pelos mais diferentes órgãos do Governo do Distrito Federal.
A preocupação de Agnelo, manifestada a este blogueiro no sábado 23 por gente que priva da intimidade do governador, veio a propósito de uma nota postada no blog do jornalista Carlos Honorato, sobre a existência de uma suposta quadrilha virtual que tem espalhado pânico em diferentes áreas, tendo a internet como instrumento.
Mas, por que entregar missão tão delicada ao delegado Miguel Lucena?
- É porque o presidente da Codeplan, policial de carreira, foi chefe do Serviço de Informações da Polícia Civil nos governos de José Roberto Arruda e Rogério Rosso. Consequentemente, ele conhece os labirintos onde se originam as intrigas; o delegado é um profundo conhecedor da rede virtual, onde transita até com certa facilidade, responde o interlocutor do blog.
O que o governador pretende - e tem certeza que Miguel Lucena vai cumprir a tarefa satisfatoriamente - é acabar com uma espécie de Doi-Codi encravado nos calabouços palacianos. É descobrir gente que transita livremente pelo próprio Buriti, levando e trazendo recados, distilando veneno e alimentando o fogo amigo que afasta, num clima permanente de animosidade, secretários de deputados, dirigentes de órgãos de presidentes de estatais, e Agnelo dos seus subordinados.
O pior é que, na maioria das vezes, esse Destacamento de Operações de Informações se utiliza de jornalistas inexperientes para difundir mentiras, quando não verdades ínfimas que não mereceriam o destaque que lhes é atribuído.
Agnelo não admite que roupa suja se lave fora do governo, enfatiza esse interlocutor. E cita, a título de ilustração, a postagem de Honorato, que lembra "calúnias" contra os deputados Chico Leite e Chico Vigilante, dois petistas que teoricamente respeitam o governador, mas cujas imagens são "vendidas" ao público externo de maneira diferente.
O interlocutor, com quem este blogueiro conversou longamente, discorda apenas da localização geográfica do Doi palaciano. E, ao contrário do que revela o blog de Carlos Honorato, suas entranhas não estariam na Câmara Legislativa, muito menos em órgãos distintos do governo. "É coisa bem próxima ao Buriti, nas imediações do anexo", se arvora a dizer, assumindo a condição de testemunha ocular de um e-email gerado no seio do oficioso Departamento de Operações e Informações.
- O Miguel, por sua experiência, sabe onde achar o fio da meada. Ninguém melhor do que ele para acabar com essa onda de denuncismo", enfatiza o interlocutor de Agnelo, cofiando um espesso e bem desenhado cavanhaque. E encerra, como quem fecha a porta do DOI para abrir a do Codi (Centro de Operações de Defesa Interna): "Na pior das hipóteses, como ontem, cortaremos hoje a língua de quem fala apenas para intrigar".
Os Doi-Codi, para quem não se recorda, eram órgãos de inteligência e repressão dos governos de Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo. Coisa suja, que tolhia liberdade, difamava, investigava e manchava a vida de inocentes.
Talvez por isso, e por ser o presidente da Codeplan ligado à área de informação e contra-informação, que Agnelo tenha decidido confiar esse trabalho a Miguel Lucena.
Fonte: Blog do José Seabra




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