Integrante da oposição, deputada distrital compara a crise vivida no
Distrito Federal com a “torre de babel” ao afirmar que GDF mantém R$ 500
milhões que seriam para a saúde em aplicações financeiras e lamenta: “É
um absurdo que um usuário da saúde, no limite do desespero por falta de
atendimento, seja algemado, encarcerado em camburão por ter quebrado um
vidro em momento de desespero”.
1. Qual é a sua opinião sobre este momento vivido na saúde pública do DF?
Vivemos uma sensação de abandono. Como pode, num momento de crise tão
aguda na saúde, o comandante supremo do governo, um médico e seu
secretário de saúde continuarem de férias? E por aqui, qual torre de
babel, vemos enfrentamento entre médicos e pacientes, pacientes e
gestores, profissionais de saúde e gestores.
2. O governo garante ter convocado mais de 8 mil servidores, afirma ter
comprado equipamentos, reformado prédios de unidades de saúde... Então
onde está o problema?
Importante destacar que as contratações de profissionais de saúde estão
sendo possível em razão de concurso público realizado no governo
anterior. Por outro lado, o governo fornece o número de convocados, mas
não informa quantos desistiram antes e depois da posse, quantos não
representam aumento, vez que apenas substituirão os que se aposentam,
nem que profissionais e especialidades estão sendo priorizados. Falta
transparência para entendermos inclusive a lógica de distribuição destes
profissionais.
É verdade que o governo tem comprado equipamentos, mas muitos deles
ficam meses sem serem instalados. Todavia, os equipamentos mais básicos
faltam nos hospitais, tais como: oxímetros, eletrocardiógrafos,
termômetros, aparelhos de medir pressão, dentre outros.
Por fim, reforma de prédio faz bem, mas não garante atendimento, muitas
das vezes as reformas são mera maquiagem. Tudo isso se resume em falta
de gestão.
3. Pode ser considerado normal que cinco grandes hospitais do DF fiquem sem médicos simultaneamente?
Claro que é anormal. Entretanto espero que essa situação também deva
estar sendo investigada pelo Departamento Nacional de Auditoria do
Sistema Único de Saúde – DENASUS, vez que os recursos envolvidos tanto
para pagamento de pessoal quanto para manutenção das unidades, vem em
sua maioria do Governo Federal.
4. Qual seria o primeiro passo para estancar essa grande crise do sistema público?
Estabelecer metas, fazer avaliações periódicas, oferecer condições
básicas para que os profissionais de saúde possam desempenhar suas
atividades, e ouvir os servidores com vistas a corrigir rumo, bem como
respeitar os que vivem o dia a dia da saúde.
Estabelecer que o provimento de cargos comissionados de natureza
decisória para o funcionamento da saúde, tais como pregoeiros, chefes de
equipes, subsecretários, dentre outros, passem a ser preenchidos
obrigatoriamente por servidores estáveis da Secretaria de Saúde, vez que
esses servidores detém conhecimento real e específico para garantir o
funcionamento da Secretaria. Sem falar, é claro, na garantia do
funcionamento das salas de cirurgia dos hospitais durante todos os dias
da semana.
5. Na sua opinião, essa crise na saúde já era esperada?
A crise já estava desenhada, basta analisarmos alguns pontos. Os Postos
e Centros de Saúde com agenda fechada empurram todo atendimento para os
hospitais.
Nos hospitais atolados com o volume da demanda, a falta de insumos
básicos e o stress de trabalho com os casos mais graves levam os
profissionais a se sentirem preteridos em relação aos que trabalham nos
Postos e Centros de Saúde e que recebem gratificação específica
adicional.
A falta de uma política diferenciada para atrair pediatras e clínicos
gerais cria um grande gargalo represando os atendimentos dessas
especialidades e das demais que dependem dessas primeiras.
Já faz dois anos que venho apresentando diversos Requerimentos de
Informação à Secretaria de Saúde, bem como encaminhado sugestões e
alertas sobre sérios problemas que temos identificado, quer seja em
visitas às unidades, por publicações de Atos Oficiais, consulta ao
Sistema Integrado de Gestão Governamental, ou até mesmo por denúncias
recebidas da população.
Confesso que tenho tido dificuldade em obter respostas para grande
parte dos requerimentos, principalmente para os que envolvem despesas
sem licitação. A leitura dos atos praticados, aliada à falta de
planejamento para ações e insumos básicos, demonstrada pela
administração, revelavam a crise que ora se apresenta.
6. Os problemas vividos hoje são resultados de um problema crônico do DF ou de gestão?
O Distrito Federal realmente vive um problema crônico com relação ao
atendimento a pacientes do Entorno. Entretanto, esse problema é
previsível. O que não se pode aceitar é a falta de planejamento.
Não é possível conviver com cenas onde profissionais da saúde e
pacientes descrevem a agonia de não ter os insumos mínimos para
atendimento, conforme revelado em matéria veiculada pelo telejornal DFTV
1ª edição de 09/01/2013. Essa falta de condições tem levado os
profissionais a pedirem demissão.
7. Na sua avaliação, falta recurso para a saúde pública do DF?
Certamente não faltam recursos para a Saúde Pública do DF. Dados
obtidos junto ao Sistema Integrado de Gestão Governamental – SIGGO
revelam que desde janeiro de 2011 a Secretaria de Saúde tem mantido
recursos significativos aplicados no mercado financeiro. Em dezembro de
2012 o Fundo de Saúde mantinha mais de R$ 500 milhões em aplicações
financeiras.
A análise dos recursos oriundos do SUS e mantidos pela Secretaria de
Estado de Saúde do DF em aplicação no mercado financeiro, em detrimento
do abastecimento regular dos hospitais, reforça a afirmação do promotor
Diaulas Costa Ribeiro, em matéria veiculada pelo telejornal DFTV 1ª
edição de 09/01/2013 , no sentido de que o problema da área de saúde é a
falta de gestão.
8. Qual é o problema mais grave vivido pela saúde pública no DF?
A indiferença com que o cidadão é tratado, aliada a falta de gestão, quando não a culpa é atribuída ao próprio cidadão.
É um absurdo que um usuário da saúde no limite do desespero por falta
de atendimento, seja algemado, encarcerado em camburão por ter quebrado
um vidro em momento de desespero.
É a verdadeira inversão da ordem pública.
9. Ainda há jeito de o GDF controlar a crise da saúde?
Certamente essa crise pode ser controlada, e digo mais, sem
dificuldades. Basta voltar a gerir a área da saúde garantindo no mínimo o
funcionamento básico, e com planejamento.
É como na nossa família: não adianta comprar um equipamento do tipo
smart TV se você não esta conseguindo sequer garantir o abastecimento de
comida da casa.
10. O que a senhora poderia dizer para o cidadão que depende do sistema
público e que está com dificuldades de ser atendido nas unidades de
saúde?
Posso dizer ao cidadão que, como Deputada Distrital, manterei
incansável cobrança junto à Secretaria de Saúde e se for o caso junto ao
Judiciário para que a população do Distrito Federal tenha acesso à
saúde, conforme previsto na Constituição Federal.
Nesse sentido, inclusive já requeri diversas informações à Secretaria
de Saúde sobre a falta de profissionais em plantões, aloquei recursos
por meio de emenda Parlamentar para garantir a aquisição de marca-passos
diafragmáticos, bem como encaminhei diversas recomendações ao Governo
do Distrito Federal sobre os problemas da saúde.
Fonte: Blog do Edson Sombra
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