A PF encontrou papéis que comprovam a interceptação, no final de
fevereiro, no apartamento do sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de
Araújo, o Dadá – braço direito de Cachoeira, escutas envolvendo
blogueiros do Distrito Federal; Câmara Legislativa vai investigar a
arapongagem em Brasília
A Câmara Legislativa vai instalar uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar grampos telefônicos ilegais que teriam
sido feitos pela Casa Militar do Governo do Distrito Federal sobre
conversas envolvendo cidadãos, jornalistas e autoridades, segundo
denúncias publicadas na imprensa. O requerimento de criação da CPI será
lido na sessão ordinária desta quarta-feira (18) e contará com o apoio
dos 24 deputados distritais.
Leia na matéria da Folha:
A Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, apreendeu manuscritos que
indicam a interceptação de telefonemas entre jornalistas e um
ex-deputado federal críticos ao governador do Distrito Federal, Agnelo
Queiroz (PT).
São os primeiros indícios de que telefonemas foram interceptados
ilegalmente por pessoas ligadas ao grupo de Carlos Augusto Ramos, o
Carlinhos Cachoeira, pivô de escândalo que deve gerar uma CPI no
Congresso.
A operação da PF encontrou os papéis no final de fevereiro, ao
cumprir mandado judicial de busca e apreensão no apartamento do sargento
da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá que segundo as
investigações trabalhava para Cachoeira.
A PF recolheu amostras da grafia de Dadá para perícia.
São anotações sobre data, hora, interlocutores e assunto tratado.
Dois jornalistas, Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson
Sombra, e Donny Silva, donos de blogs críticos a Agnelo, disseram que as
anotações, obtidas pela Folha, são a essência de diálogos que
mantiveram por telefone nas datas referidas nos manuscritos.
As conversas ocorreram entre 27 e 29 de janeiro último. Uma das
anotações diz que Sombra e o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM/DF),
presidente do diretório regional do DEM em Brasília e opositor de
Agnelo, falaram sobre as atividades de outro deputado, Fernando
Francischini (PSDB/PR), e "a tentativa de blindagem do GDF - Governo do
Distrito Federal".
Semanas antes da conversa, Francischini havia protocolado, na PGR
(Procuradoria-Geral da República), um pedido de prisão de Agnelo dentre
outros motivos, por uma suposta ameaça de um irmão de Agnelo a um
jornalista que investigou a família do governador.
Como a Folha mostrou, a PF já levantou indícios de que, na mesma
época das supostas interceptações, servidores lotados na Casa Militar do
DF acessaram, sem autorização judicial, informações sigilosas de
Francischini, por meio de um sistema oficial de dados.
OUTRO LADO
A assessoria do governador Agnelo Queiroz afirmou que não vai
comentar os manuscritos porque não tem nenhuma relação com a suposta
espionagem.
O advogado de Dadá, Genuíno Moreira Júnior, também preferiu não
comentar o conteúdo dos papéis, pois disse que ainda não teve acesso aos
documentos nem aos laudos periciais.
"Soube da apreensão pelo Idalberto (Dadá) e, pela imprensa, de que
havia ali documentos sigilosos, mas ainda não temos condições de
avaliar", disse Moreira.
Fonte: Brasília 247 - 18 de Abril de 2012 às 07:32
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