Mino Pedrosa, que foi assessor de Carlos Cachoeira e distribuiu a
fita de Waldomiro Diniz, manda recado por meio de um blog: diz que, no
calor da cela em Mossoró, Cachoeira pensa em contar tudo; o primeiro
nome citado foi o do deputado Miro Teixeira; ele ameaça até
arrecadadores da campanha de Dilma
247 – Mino Pedrosa é um dos jornalistas mais polêmicos de Brasília. Há quem ainda o considere repórter investigativo, outros o tratam como lobista e há ainda aquelas que usam qualificações impublicáveis.
Em seu currículo, consta um dos maiores furos de
reportagem da história da imprensa brasileira. Foi ele quem, em 1992,
revelou a história do motorista Eriberto França, que selou o impeachment
do ex-presidente Fernando Collor.
É da sua lavra também a revelação de
um escândalo de grampos clandestinos, que abateu Antônio Carlos
Magalhães. Em 2004, Mino estava afastado das redações. Era assessor do
bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Foi ele quem fez
circular entre algumas redações a fita em que Waldomiro Diniz,
ex-assessor da Casa Civil, pede propina ao bicheiro, no primeiro
escândalo do governo Lula. Mino e Cachoeira são amigos. Mais: são
íntimos. E foi nesta condição que o jornalista escreveu um texto no seu
blog Quidnovi, que
manda recados diversos.
Aponta para uma suposta relação entre o bicheiro
e o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), ex-ministro das Comunicações do
governo Lula, e avisa que o contraventor está uma pilha de nervos.
Pronto para abrir as comportas do seu mar de lama. Até arrecadadores da
campanha presidencial de Dilma Rousseff teriam se banhado em sua
cachoeira. Leia o recado de Cachoeira, transmitido por Mino Pedrosa:
No dia 29 de fevereiro uma operação deflagrada pela Polícia Federal
batizada de Monte Carlo levou para o presídio de Mossoró, no Rio Grande
do Norte, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Com
ele, ficaram presos os segredos envolvendo políticos, empresários,
funcionários públicos que sustentavam todo um esquema de corrupção.
Foi o Partido dos Trabalhadores que preparou a armadilha para flagrar
Cachoeira e silenciar a oposição representada por Demóstenes Torres
(DEM-GO) já que Aécio Neves (PSDB-MG) havia recuado por temer
represálias. O tiro saiu pela culatra. A operação que se estendeu por
quatro Estados – Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso
do Sul - fugiu do controle do Planalto e flagrou a ligação do PT e
partidos da base aliada do Governo Dilma com o contraventor.
Carlinhos tem um verdadeiro arsenal que acumulou nos últimos 15 anos.
Tímido, porém simpático, além de muito generoso, Cachoeira envolveu
pessoas do alto escalão da República. O PT, que empurra a espada sobre
Demóstenes Torres, começa a se preocupar com o quintal da sua casa. E
para salvar a pátria, entra em cena, mais uma vez, o conceituado
defensor e jurista Márcio Thomaz Bastos.
Foi no episódio de Valdomiro Diniz, assessor direto do então ministro
da Casa Civil José Dirceu, que Valdomiro foi filmado pedindo propina
para campanhas petista. Márcio Thomaz Bastos, na época ministro da
Justiça, atuou fortemente para evitar o primeiro grande escândalo do
Governo Lula.
Ali ficava clara a afinidade do PT com o jogo e a contravenção.
Thomaz Bastos escalou rapidamente o advogado de plantão Antônio Carlos
de Almeida Castro, o Kakay, para defender Valdomiro Diniz e silenciar
Cachoeira evitando que o escândalo alcançasse e derrubasse o então chefe
da Casa Civil e todo poderoso do Governo Lula José Dirceu.
Agora, mais uma vez, Thomaz Bastos é convocado, em caráter de
urgência, para represar a enxurrada de denúncias que Cachoeira está
prestes a soltar.
No cenário pintado por Cachoeira, Demóstenes não passa de uma piaba,
ou melhor, um peixe pequeno, que o Ministério Público tenta sevar com
denúncias inconsistentes para não ser obrigado a pescar os peixes
grandes do PT e da base aliada do Governo.
Enquanto isso, em Mossoró, num calor de 43 graus, Carlinhos arde
dentro da cela e prepara seu próximo torpedo em direção ao Planalto. São
interlocutores das campanhas presidenciais do PT de Lula e Dilma, que
receberam doações de Caixa 2 de Carlinhos que garante que registrou
tudo.
Nos corredores do Ministério Público Federal se ouve falar de grandes
nomes da política nacional envolvidos na contravenção.
Um desses, seria
o deputado carioca Miro Teixeira, ministro das Comunicações no Governo
Lula e ex- PP, ex-PMDB, ex- PDT, ex- PPS, ex-PT e desde 2005 novamente
PDT, hoje na base aliada do Governo Dilma.
Essa história acontece
exatamente no momento em que a presidente olha para Miro com olhos de
promessa de um novo ministério. A depender do PDT.
Com a derrota do habeas corpus impetrado pelos advogados de Carlos
Cachoeira, mas já com texto de Marcio Thomaz Bastos, o jurista achou
necessário assumir a defesa do contraventor. Afinal,o PT não quer que o
texto do MP seja repetido no segundo HC impetrado hoje pelo ex-ministro
da Justiça.
Nas palavras do MP, “Ao contrário do que afirma a defesa, Carlinhos
Cachoeira não ostenta condições favoráveis, seja porque não demonstrou
possuir trabalho lícito ou porque não possui bons antecedentes
criminais. Uma rápida consulta na internet permite constatar a
existência de pelo menos três ações penais em três diferentes estados da
Federação contra o acusado”.
Os fragmentos da Operação Monte Carlo atingem ainda várias pessoas
influentes de Brasília e outros Estados. Estão sob segredo no MPF os
nomes dos políticos que não interessa ao Planalto vazar para a imprensa.
Cachoeira tem recebido visita da esposa, orientada por Márcio Thomaz
Bastos, a convencê-lo a não detonar o arsenal contra tudo e contra
todos.
Andressa temendo que o marido não consiga o habeas corpus,
conforme o jurista lhe disse, batalha para Carlinhos segurar seu arsenal
de denúncias. O difícil é convencer o contraventor a mudar o alvo tendo
o calor e a raiva como aliados na cela 17 do presídio em Mossoró.
Fonte - Brasilia 247 - 12 de Abril de 2012 às 17:59
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