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terça-feira, 6 de março de 2012

A HORA DA REDE 'VAI SER FUNDAMENTAL E DECISIVA'

Político que quiser fisgar eleitor na internet, é bom começar já. E se lembrar de interagir com o internauta. A última atualização de @dilmabr, por exemplo, foi há 448 dias


Antes se dizia que os políticos só visitavam algumas cidades em tempo de eleição. Agora, essas visitas, em alguns casos, são dispensáveis. Se souberem usar as redes sociais em suas bases, podem se dar ao luxo de não precisar sair de porta em porta. Ocorre que poucos sabem usar essa ferramenta a contento. Embora a maioria dos centros urbanos —  até os pequenos — tenha ponto de acesso à internet, são poucos os políticos que se sobressaem na rede ou sabem usá-la a contento.

Ok, você pode considerar que, no Brasil, a banda larga ainda está engatinhando, a internet no celular ainda não é acessível a todos e por aí vai. Mas é bom lembrar que, a cada eleição, a campanha na rede ganha mais importância. Foi assim, por exemplo, no segundo turno de 2010, quando grupos avessos ao PT usaram a rede para tentar desconstruir a imagem de Dilma Rousseff da mesma forma que, este ano, muitos usaram para tentar atacar José Serra antes mesmo que ele anunciasse ser pré-candidato a prefeito de São Paulo.

Portanto, que ninguém se assuste se, nesta eleição municipal, a praga do santinho de papel, que enche as ruas em muitos lugares, perder espaço para as redes sociais e as mensagens de celular.

No Brasil, a Fundação Getulio Vargas calcula que são 72 milhões de pessoas conectadas. Em 2014, segundo uma pesquisa da FGV, o Brasil terá 140 milhões de computadores ativos. Para 2012, a expectativa é de que atinja a marca dos 100 milhões. Os celulares já chegam a 250 milhões, ou seja, existem mais telefones móveis do que brasileiros. E como a tendência é mesmo a troca de telefones por smartphones (com acesso à internet), cada vez mais pessoas estão expostas a propaganda  — e também às campanhas — na rede mundial.

Por falar em pessoas…


O segredo para que os políticos fisguem o eleitor internauta ainda não foi revelado. Mas a principal dica dos especialistas que estudam esse tema equivale aos velhos ditados que servem para muitas coisas, como “quem chega primeiro bebe água limpa”. Mas a receita mais segura recomenda combinar essa sabedoria popular com outra: “O olho do dono engorda o gado”.

Em suma, quem conquistou espaço, amigos ou seguidores, não pode simplesmente abandonar as pessoas. O perfil @dilmabr no Twitter, por exemplo, tem 1,1 milhão de seguidores. E o último post ocorreu em 13 de dezembro de 2010: “Amigos, muito legal ser tão lembrada no Twitter em 2010. 

Logo eu, que tive tão pouco tempo para estar aqui com vocês. Vamos conversar mais em 2011”. 

Ok, você deve estar pensando que a presidente do Brasil tem mais o que fazer do que ficar tuitanto por aí. E existem ainda os canais oficiais, o Twitter do Planalto, o blog e tudo mais. Mas o mesmo não ocorre, por exemplo, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, embora disponha dos mesmos instrumentos, volta e meia posta alguma coisa, acompanha seus eleitores e responde. No Brasil, são poucos os que mantêm essa prática há tempos.

Por falar em prática…


Entre os ministros, quem melhor usa o Twitter hoje é o titular da Saúde, Alexandre Padilha. Ele consegue a façanha de ter mais sucesso com o @padilhando, seu Twitter pessoal, do que com o do Ministério da Saúde. O segredo do sucesso de Padilha é simples: o olho do dono. Na oposição, é possível citar José Serra e Marina Silva como aqueles que interagem com o seu leitor/eleitor.

Já a maioria não costuma ter essa interação ou usar sites e redes sociais para perguntar ao eleitor o que ele deseja. Uma pesquisa da Medialogue feita no ano passado entre os deputados para identificar como eles usavam os recursos digitais corroborou a tese: 55% não dialogavam com o eleitor no Twitter, 66% não publicavam comentários de eleitores no site e 76% nem se deram ao trabalho de responder o e-mail enviado pela pesquisa. Apenas 14% usavam enquetes para saber a opinião do eleitor.

A pesquisa mostrou ainda que, dos 513 deputados, 51% respondem a perguntas no Twitter, 73% mantêm blogs atulizados e 82% usam o site para cadastrar o eleitor. Sendo assim, você pode ter certeza, leitor, que, na hora da eleição, eles vão entupir a sua caixa de e-mail.

Quanto à presidente…


Insatisfação com o PMDB, confusão com os militares, com a Fifa, guerra no Banco do Brasil, agenda na Alemanha, PR querendo ministério assim que ela chegar da viagem… É muita coisa para Dilma resolver e, além de tudo, tuitar. A semana na política promete. Aguardemos. 

Fonte: Blog da Denise - Correio Braziliense

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