CPI não tem volta, garante o senador Walter Pinheiro (PT/BA), que
liderava uma ala do Partido dos Trabalhadores contrária à instalação da
comissão; ele, no entanto, pretende restringir o foco das investigações
sobre Carlos Cachoeira
247 – “Não tem volta”. Com estas palavras, o senador Walter Pinheiro (PT/BA), que liderava uma ala do PT que parecia disposta a recuar, garantiu que a comissão será instalada. Ele falou à jornalista Cristiana Lobo.
Leia o texto postado no blog da jornalista Cristiana Lobo:
O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse há pouco ao blog
que a idéia de criação da CPI do Cachoeira “não tem volta’, mas
advertiu que o foco da investigação deve ser “a rede de negócios e
informações” que se formou para ganhar dinheiro em vários setores.
Até agora, o bloco governista já coletou 22 assinaturas no Senado,
cinco a menos do que é necessário – sem contar as assinaturas do PMDB
que seriam coletadas pelo líder da bancada, Renan Calheiros.
O PT avalia
que pelo menos 50 senadores poderão subscrever a proposta de criação da
CPI. Na ausência do presidente José Sarney (PMDB-AP), internado em São
Paulo, o pedido da CPÌ mista deverá ser entregue à deputada Rose de
Freitas (PMDB-ES), vice-presidente da Câmara.
Para Walter Pinheiro, o negócio de jogo que notabilizou Carlos
Cachoeira acabou se tornando uma questão paralela aos negócios maiores.
- Nessas gravações, não se ouve eles trabalhando para legalizar o
jogo do bicho, mas era uma rede de informações e negócios nas diversas
áreas. Ele foi para o ramo dos fármacos, da construção civil, da
pecuária e movimentou muito dinheiro – disse o líder.
Leia ainda a matéria anterior do 247:
247 – O senador Walter Pinheiro (PT-BA) vocalizou, talvez tarde
demais, como ele mesmo admitiu, a preocupação de uma grande ala do
partido.
- - Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai
apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso
que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe - disse Pinheiro.
O receio estampado nessas palavras é o de que, na prática, a CPI do
Cachoeira, como foi chamada inicialmente, passe a ser a CPI da Delta e,
por sua vez, migre para se tornar a CPI sobre as Relações do PT com a
Delta.
Em outras palavras, o desejo de manter todo o intrincado caso
apenas e tão somente no âmbito da Comissão de Ética do Senado revela
mais que uma indecisão em relação à própria CPI. Ele manifesta a leitura
já consolidada em diferentes setores do partido, especialmente os mais
ligados à administração federal, de que, por envolver a maior
empreiteira do PAC, a própria Delta, não há como garantir que a CPI não
provoque estilhaços em áreas sensíveis da própria administração.
A
empresa, afinal, gere orçamentos bilionários e tem em seu presidente,
Fernando Cavendish, um empresário de métodos absolutamente heterodoxos
(leia mais). Uma vez convocado a depor, e sob risco, com já aconteceu no
passado com outros personagens, de sair algemado da CPI se mentir ou
omitir, ao irritar deputados e senadores, Cavendish poderá desnudar
personagens de todos os partidos, o que inclui os da base aliada da
presidente Dilma Rousseff e do próprio PT.
Pinheiro, ao manifestar sua interpretação de que, a depender de
documentos, o caso poderia ficar no âmbito de uma comissão destinada
apenas a cassar ou não o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO),
tenta, ao menos, acalmar os ânimos na cúpula do seu partido, que se
alinhou, de imediato, ao aceno positivo, pela CPI, do ex-presidente
Lula.
Pega de surpresa fora do País, num primeiro momento, quanto visitava o
presidente Barack Obama, em Washington, e, nos últimos dias, envolvida
na Cúpula das Américas, em Cartagena, só o que a presidente Dilma pode
fazer como bombeira foi uma escala de três horas em São Bernando do
Campo, onde procurou dizer a Lula que seria melhor ir mais devagar com o
andor da CPI.
Como reconhece o próprio senador baiano, agora já parece ser tarde.
Assinaturas em número mais que suficiente para instalar a Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) estarão pousando, amanhã, sobre a
mesa da vice-presidente do Senado, Marta Suplicy. Ela não terá outra
alternativa a não ser instalar a comissão.
Quanto ao seu funcionamento, o
que se projeta é uma guerra multipartidária na qual se vai tentar
empurrar para o outro as brasas das denúncias, o que poderá causar um
incêndio ainda maior de radicalização, com chamas em todas as direções.
Fonte: Brasília 247 - 16 de Abril de 2012 às 14:35
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